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Vacinação em pacientes com câncer: o que tomar e o que evitar durante o tratamento

Redação5 de junho de 20268min0
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De acordo com infectologista do IBCC Oncologia, esquema vacinal exige estratégia individualizada e atenção ao momento do tratamento para garantir proteção sem comprometer a resposta imunológica

Pacientes em tratamento oncológico têm maior risco de desenvolver infecções graves e, por isso, não devem seguir o calendário vacinal padrão da população geral. Nesse caso, a imunização precisa ser planejada de forma individualizada, levando em conta o tipo de tumor, a terapia adotada e o grau de imunossupressão.

A recomendação é que o esquema vacinal seja integrado ao próprio plano de tratamento oncológico, com definição do tipo de vacina e do momento mais adequado para aplicação. O objetivo é reduzir complicações infecciosas, evitar internações e impedir interrupções em terapias como a quimioterapia, que podem comprometer os resultados clínicos.

“A vacinação é uma estratégia fundamental no cuidado do paciente com câncer. Ao prevenir infecções, conseguimos reduzir intercorrências que muitas vezes levam à suspensão do tratamento”, afirma a infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, coordenadora da área no IBCC Oncologia.

Pacientes em tratamento oncológico apresentam maior risco de desenvolver infecções por agentes como pneumococo, influenza, covid-19 e meningococo. Além de mais frequentes, essas infecções tendem a evoluir de forma mais grave, com maior necessidade de internação.

Quais vacinas são recomendadas e quando devem ser aplicadas

As principais vacinas indicadas para pacientes oncológicos são as inativadas ou de subunidade proteica, por não conterem vírus vivos. “O ideal é que essas vacinas sejam aplicadas pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia ou de qualquer terapia imunossupressora. Esse intervalo permite que o organismo tenha tempo de desenvolver uma resposta imunológica mais adequada”, orienta a infectologista.

Ainda assim, a vacinação não deve ser interrompida caso o tratamento já tenha começado. “Mesmo durante alguns tratamentos, como a quimioterapia, vacinas como influenza e covid-19 continuam sendo recomendadas. A resposta pode não ser tão robusta, mas ainda assim há benefício clínico”, completa.

Entre as principais vacinas disponíveis no SUS para esse público estão pneumocócicas (13 e 23-valente), meningocócica ACWY, hepatites A e B, dTpa, influenza, covid-19, HPV (até 45 anos) e Haemophilus influenzae tipo B, além das vacinas do calendário básico.

Atenção: algumas vacinas requerem avaliação médica antes da administração

As vacinas de vírus vivos atenuados exigem avaliação individualizada e, na maioria dos casos, não são indicadas durante o tratamento oncológico. “Vacinas como tríplice viral, varicela, febre amarela e dengue, de forma geral, são contraindicadas durante a quimioterapia”, destaca a infectologista do IBCC Oncologia.

Para pacientes com tumores sólidos, como câncer de mama, pulmão, próstata ou intestino, pode haver exceções. “Em alguns casos específicos, essas vacinas podem ser consideradas, desde que aplicadas pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento”, explica.

Outro ponto importante envolve terapias imunológicas específicas. De acordo com a infectologista, pacientes que utilizam anticorpos monoclonais, como o Rituximabe, apresentam uma resposta vacinal muito reduzida. “Nesses casos, recomendamos aguardar cerca de seis meses após a última dose para buscar uma resposta mais efetiva à vacina e com segurança”, acrescenta.

É possível se vacinar durante o tratamento

Durante a quimioterapia e alguns tipos de radioterapia, vacinas inativadas podem ser administradas durante o tratamento, mas a eficácia da vacina pode ser menor. Ainda assim, a recomendação é manter a vacinação.

Já em pacientes em imunoterapia, a orientação é clara: “Durante a imunoterapia, encorajamos a manutenção da rotina vacinal normalmente. Os benefícios da prevenção de infecções superam os riscos potenciais”, diz a médica.

O papel fundamental de familiares e cuidadores

A proteção do paciente oncológico vai além dele. Familiares e cuidadores têm um papel importante nesse processo. “A vacinação dos contatos próximos é pilar de proteção. Quando familiares estão com o calendário vacinal em dia, conseguimos reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente do paciente”, explica a especialista.

Muitas vezes o paciente não pode receber determinadas vacinas, como as de vírus vivos. Por isso, é fundamental que as pessoas ao redor estejam imunizadas, criando um verdadeiro “escudo de proteção”.

Mitos e verdades sobre vacinação em pacientes com câncer

A desinformação ainda é um desafio importante. A infectologista do IBCC Oncologia, Adriana Coracini Tonacio de Proença,  esclarece os principais pontos:

Vacinas podem causar câncer ou piorar o tumor?

“Isso é um mito. Não existe evidência de que vacinas causem câncer ou acelerem a progressão tumoral. Já temos milhões de doses aplicadas em pacientes oncológicos sem qualquer sinal de piora da doença.”

Pacientes em imunoterapia não podem se vacinar?

“Também é mito. Eles podem e devem se vacinar. Existe uma discussão teórica sobre eventos imunomediados, mas, na prática, os benefícios superam os riscos.”

A vacina da gripe causa gripe?

“Não. A vacina utilizada é inativada, ou seja, não tem capacidade de causar a doença.”

Após a remissão, a vacinação deixa de ser necessária?

“De forma alguma. O sistema imunológico pode continuar fragilizado por um período após o tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e a atualização do calendário vacinal continuam sendo fundamentais.”

Vacinação como parte do tratamento oncológico

Para a especialista, a mensagem é clara: a vacinação deve ser incorporada ao plano terapêutico do paciente oncológico. “A gente precisa enxergar a vacinação como parte do cuidado oncológico. Não é algo secundário. É uma estratégia que protege o paciente, evita complicações e contribui diretamente para o sucesso do tratamento”, conclui Adriana Coracini Tonacio de Proença.

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