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Brasileiros gastam mais de R$ 13 bilhões com canetas emagrecedoras em um ano, aponta levantamento

Redação1 de julho de 20267min0
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Mounjaro lidera faturamento entre os medicamentos da nova geração; Wegovy e Ozempic também movimentam bilhões nas farmácias

As chamadas “canetas emagrecedoras” já se transformaram em um dos mercados mais bilionários da indústria farmacêutica no Brasil. Um levantamento repassado com exclusividade à reportagem pela Close-Up International Brasil, agência de dados do Canal Farmacêutico, que reúne todas as farmácias e drogarias do país, mostra que Mounjaro, Wegovy e Ozempic movimentaram juntos R$ 13,3 bilhões no período de um ano.

O valor considera o faturamento gerado entre maio de 2025 e maio de 2026 pelos três medicamentos, que ficaram conhecidos pela associação ao tratamento do diabetes tipo 2 e pela utilização no controle do peso, especialmente em pacientes com indicação médica.

O maior responsável por esse movimento foi o Mounjaro, da Lilly. A caneta registrou R$ 8.526.438.130 em vendas até maio de 2026 e passou a liderar com folga o mercado entre os três medicamentos analisados. Na sequência aparecem o Wegovy, da Novo Nordisk, com R$ 3.746.430.341, e o Ozempic, também da Novo Nordisk, com R$ 1.102.886.227.

Mounjaro supera Wegovy, mas chegou depois ao mercado brasileiro

O avanço do Mounjaro chama a atenção principalmente pelo tempo de presença no país. O medicamento chegou oficialmente ao Brasil em maio de 2025, enquanto o Wegovy já estava disponível desde julho de 2024. Mesmo com uma janela menor de comercialização, o medicamento da Lilly alcançou um faturamento mais de duas vezes superior ao da Novo Nordisk no período analisado. Em contrapartida, o Ozempic registrou uma queda expressiva de faturamento, recuando de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,1 bilhão. Confira: (dados referentes aos últimos 12 meses)

“Esse boom das canetas emagrecedoras foi impulsionado pelo surgimento de novos medicamentos. Esse movimento deve ser ainda mais reforçado após a queda da patente da semaglutida. A tendência é de crescimento nas vendas desses remédios nas farmácias”, explica Bianca Lamim, analista de dados de vendas e consumo da Close-Up International Brasil.

Vendas em unidades do Mounjaro crescem 2.070%

Se no faturamento o medicamento da Lilly leva vantagem, o mesmo se repete na quantidade de unidades vendidas. O Mounjaro, que registrou 208.508 unidades vendidas até maio de 2025, saltou para 4.524.183 unidades em maio de 2026, um crescimento de aproximadamente 2.070% em um ano.

Já o Wegovy, que operava em um patamar de volume consideravelmente maior no período anterior, manteve uma curva de crescimento sustentada. O fármaco avançou de 2.232.120 unidades vendidas até maio de 2025 para 2.650.326 no mesmo período de 2026, o que representa uma alta de 18,73% em doze meses.

Os cuidados com as canetas emagrecedoras

O crescimento desses medicamentos acompanha uma mudança no mercado farmacêutico, impulsionada principalmente pelos chamados agonistas do receptor de GLP-1, uma classe de medicamentos inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2. Essas terapias atuam aumentando a sensação de saciedade e ajudando no controle da glicose, o que fez com que também ganhassem grande procura para o tratamento da obesidade, para a qual é sempre recomendado que haja acompanhamento médico.

Além das vendas bilionárias, a popularização das canetas também trouxe novos debates para a área da saúde, como o uso adequado, a necessidade de acompanhamento profissional, os critérios para indicação e os riscos da automedicação. Especialistas alertam que a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” não deve transformar o tratamento da obesidade em uma solução baseada apenas no uso de uma medicação.

Para o endocrinologista Paulo Miranda, coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o avanço dessas terapias representa uma importante ferramenta no cuidado dos pacientes, mas precisa estar inserido em um acompanhamento médico individualizado. “Obesidade, sobrepeso e doenças associadas, como o diabetes tipo 2, são condições complexas e exigem uma abordagem ampla, que envolve diagnóstico correto, avaliação de exames, acompanhamento de possíveis efeitos adversos e, quando necessário, atuação de uma equipe multidisciplinar.”

Miranda destaca ainda que o uso sem orientação pode aumentar riscos, levar a expectativas inadequadas e até comprometer os resultados do tratamento. “Nenhuma medicação deve ser utilizada sem orientação médica”, afirma. Para ele, além de definir a dose adequada e acompanhar a evolução do paciente, o profissional de saúde também tem o papel fundamental de orientar sobre os efeitos colaterais e evitar frustrações com resultados abaixo do esperado ou com o reganho de peso.

Ampliação do acesso

O aumento nas vendas das chamadas “canetas emagrecedoras” também pode estar relacionado a uma maior possibilidade de acesso aos medicamentos. Para a endocrinologista Flávia Maia, presidente da Regional Minas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a redução de preços promovida pelos fabricantes, especialmente com a chegada de medicamentos similares, pode ter ampliado o número de pacientes com condições financeiras para iniciar o tratamento. “Muitas vezes, pacientes que com o preço antigo não tinham condições de usar o medicamento, agora, com essa redução de custos, melhoraram a possibilidade de acesso à medicação”, afirma.

A especialista destaca, no entanto, que o crescimento da procura precisa estar acompanhado de uma indicação adequada e de acompanhamento médico. “A grande questão é saber se a prescrição está feita de maneira correta. A gente sabe que existem muitas pessoas que estão usando medicamento sem indicação adequada e isso pode trazer riscos para a saúde”, alerta. Para ela, o acesso ampliado é positivo, desde que o tratamento seja conduzido com orientação profissional e dentro dos critérios médicos.

Fonte: O Tempo

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