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Mitos e verdades sobre o cérebro: o que a ciência já provou (e o que é lenda)

Redação22 de julho de 20268min0
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No Dia Mundial do Cérebro, neurologista separa fato de ficção sobre memória, sono, inteligência e os hábitos que realmente afetam a saúde cerebral

Usamos apenas 10% do cérebro? Existe mesmo um lado lógico e outro criativo? Todo esquecimento é sinal de doença? Neste 22 de julho, Dia Mundial do Cérebro – data criada pela Federação Mundial de Neurologia em referência à própria fundação da entidade, em 1957 –, é hora de separar o que é ciência do que é apenas senso comum. Para responder às dúvidas mais frequentes sobre o órgão mais complexo do corpo humano, consultamos o neurologista Philipe Marques da Cunha, professor da Afya Educação Médica.

Usamos apenas 10% do cérebro durante a vida toda?

Mito. Ao contrário do que populariza o cinema, o cérebro é utilizado quase por inteiro ao longo do dia. “Cada região é ativada conforme a atividade realizada, e mesmo durante o repouso existe intensa atividade cerebral”, explica o neurologista.

Existe um lado lógico e outro criativo do cérebro?

Mito. “Os hemisférios têm algumas especializações”, pondera o neurologista, “mas raciocínio, linguagem e criatividade dependem da integração de diversas áreas dos dois lados do cérebro” – não de um hemisfério isolado.

Quem tem cérebro maior é mais inteligente?

Depende. Segundo Cunha, “o tamanho do cérebro tem uma relação muito pequena com a inteligência”. Mais importante que o volume cerebral, afirma ele, é a eficiência das conexões entre os neurônios.

O cérebro de homens e mulheres é diferente?

Também depende. Existem pequenas diferenças anatômicas e funcionais entre os sexos, reconhece o neurologista, mas elas têm pouca relevância prática. Segundo o neurologista, há muito mais semelhanças do que diferenças entre os cérebros masculino e feminino.

O cérebro encolhe com a idade?

Verdade. O envelhecimento leva a uma redução gradual do volume cerebral, principalmente em áreas relacionadas à memória e às funções executivas, explica Cunha. “Isso faz parte do envelhecimento normal, embora possa ser acelerado por doenças”, ressalta.

Depois de certa idade não é mais possível aprender?

Parcialmente verdade. “Aprender pode exigir mais esforço com o passar dos anos”, pondera o neurologista, “mas o cérebro mantém a capacidade de adaptação e de formar novas conexões durante toda a vida” – especialmente com estímulo cognitivo, atividade física e hábitos saudáveis, frisa.

Todo esquecimento é sinal de doença neurológica?

Mito. Esquecimentos ocasionais podem fazer parte do envelhecimento normal, esclarece Cunha. “O que preocupa é quando a perda de memória começa a comprometer a autonomia e as atividades do dia a dia”, explica o neurologista.

Os sonhos são uma “descarga” do cérebro?

Depende. Ainda não existe consenso científico sobre o tema, afirma o neurologista. Os sonhos parecem estar relacionados ao processamento de memórias e emoções, mas a ideia de que sejam apenas uma “descarga” cerebral é simplista, segundo ele.

Dormir bem protege o cérebro?

Verdade. “O sono é essencial para consolidar memórias, regular emoções e manter a saúde cerebral”, resume Cunha. Por outro lado, dormir mal de forma crônica aumenta o risco de problemas cognitivos. Ele destaca que trabalhos recentes têm confirmado o sono como fator de proteção contra demências.

Excesso de telas faz mal ao cérebro?

Verdade, principalmente em crianças. “O uso excessivo de telas está associado a prejuízos no desenvolvimento da atenção, da linguagem e das funções executivas”, alerta o neurologista. Em adultos, pondera, o impacto do hábito depende do tempo e da forma de uso.

É possível treinar o cérebro como um músculo?

Parcialmente verdade. O cérebro responde ao treinamento, explica Cunha, mas os ganhos costumam ser específicos para a habilidade praticada. Segundo ele, a combinação de atividade física, aprendizado e interação social é mais eficaz para manter a saúde cerebral do que exercícios isolados de “ginástica mental”.

Música clássica deixa bebês mais inteligentes?

Mito. Não há evidências de que ouvir Mozart ou outra música clássica aumente a inteligência, afirma o neurologista. “A música pode favorecer o desenvolvimento e o bem-estar, mas não eleva o QI por si só”, aponta. A lenda começou com um estudo de 1993, que apontou que estudantes expostos a música clássica tinha um ganho de habilidade temporária, não permanente.

Canhotos são mais inteligentes ou criativos?

Mito. “Não existem evidências científicas consistentes de que canhotos tenham maior inteligência ou criatividade em comparação aos destros”, pontua Cunha. O neurologista lembra que o hemisfério dominante é o esquerdo em mais de 99% das pessoas – independentemente da lateralidade da mão.

Fazer várias tarefas ao mesmo tempo torna o cérebro mais eficiente?

Mito. O cérebro não executa tarefas simultaneamente: ele alterna rapidamente entre elas, explica o neurologista. Ao contrário, realizar múltiplas tarefas reduz a atenção, aumenta os erros e prejudica a memória.

Redes sociais podem “viciar” o cérebro como uma droga?

Verdade, com ressalvas. “O uso excessivo de redes sociais ativa circuitos cerebrais ligados à recompensa e pode gerar comportamento compulsivo em pessoas vulneráveis”, afirma Cunha. Embora não seja idêntico à dependência química, o comportamento compartilha mecanismos semelhantes e pode impactar a saúde mental.

Fonte: O Tempo

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