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75% das mortes por hepatite vêm de um vírus que hoje tem cura: Por que o diagnóstico precoce muda o jogo

Redação28 de julho de 20266min0
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Especialista da Alice defende que rastreio na atenção primária é o caminho para antecipar o diagnóstico de uma doença silenciosa

O Brasil confirmou mais de 800 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2024 e registrou quase 50 mil mortes diretamente relacionadas às doenças, segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde. Na semana do Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, a Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável, chama atenção para o dado que sustenta a maior parte dessas mortes: as hepatites B e C crônicas costumam avançar sem sintomas por anos, e o desafio central não é apenas tratar, mas encontrar quem está infectado antes que o fígado adoeça.

As hepatites B e C crônicas respondem pela maior parte da carga da doença no país e evoluem, na maioria dos casos, sem sintomas por anos. Quando a pessoa procura ajuda, a infecção crônica já pode ter avançado para cirrose ou câncer de fígado. Essa característica silenciosa explica por que o diagnóstico costuma chegar tarde e por que a testagem de rotina, mesmo em quem se sente saudável, é a principal ferramenta de controle.

O peso dos números reforça a urgência. A hepatite C concentra 41,5% dos casos confirmados no período e responde por 75,3% das mortes por hepatites virais no Brasil. A hepatite B aparece em seguida, com 36,6% dos casos e 22% dos óbitos. Existe tratamento capaz de curar a hepatite C e vacina que previne a hepatite B, amplamente disponível para toda a população há anos, o que torna cada diagnóstico não realizado uma oportunidade perdida de interromper a doença antes do dano.

O caminho para antecipar esse encontro passa pela atenção primária. Um médico que acompanha o histórico da pessoa ao longo do tempo consegue identificar fatores de risco e indicar o teste no momento certo, sem depender de o paciente notar um sintoma que muitas vezes não existe. “A hepatite não avisa. A pessoa se sente bem, vive normalmente, e a infecção segue avançando no fígado em silêncio por anos”, afirma Daniel Knupp, líder médico na Alice. “Por isso, o diagnóstico não pode esperar o sintoma. Quando o médico conhece o histórico da pessoa e acompanha sua saúde de perto, ele sabe quem precisa testar e quando testar e é assim que se descobre a doença ainda no tempo de curar a hepatite C ou de evitar a progressão da B”, complementa o especialista.

O Brasil assumiu com a Organização Mundial da Saúde o compromisso de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. Alcançar essa meta depende de ampliar o diagnóstico de forma orientada, com critérios claros de quem deve ser testado. O Ministério da Saúde recomenda o teste de hepatite C para todas as pessoas a partir dos 40 anos, além de gestantes no pré-natal, pessoas com exposição de risco e quem apresenta alteração nas enzimas do fígado. Para a hepatite B, a orientação combina testagem e vacinação de quem ainda não está imunizado.

“Rastrear não é testar todo mundo o tempo todo, mas sim testar as pessoas certas no momento certo, seguindo os critérios do Ministério da Saúde”, ressalta Knupp. “O teste rápido para hepatites B e C está disponível e é simples, e oferecê-lo dentro de um acompanhamento contínuo garante que quem tem indicação não passe despercebido. Cada pessoa testada no momento certo é uma internação evitada e, no caso da hepatite C, muitas vezes uma cura possível”, afirma o especialista.

Na Alice, o cuidado começa pelo médico de família, que acompanha o membro ao longo do tempo e coordena sua jornada de saúde, da prevenção ao encaminhamento. Esse acompanhamento contínuo permite agir antes que a doença apareça, transformando o rastreio de condições silenciosas como as hepatites em parte da rotina de cuidado, não em uma busca tardia depois do sintoma.

“A boa notícia é que a hepatite está entre as doenças que a medicina já sabe resolver: temos vacina para a B e cura para a C. O que transforma esse conhecimento em resultado é encontrar a pessoa a tempo e é aí que o acompanhamento contínuo faz diferença. Quando a prevenção vira rotina de cuidado o ano inteiro, a eliminação das hepatites até 2030 deixa de ser uma meta distante e passa a ser um caminho concreto. É esse cenário que a gente ajuda a construir, uma pessoa acompanhada de perto por vez”, conclui o especialista.

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