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Mais da metade das brasileiras 40+ convive com perda involuntária de urina, aponta pesquisa

Redação5 de agosto de 20265min0
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Levantamento aponta, no entanto, que 87% delas nunca realizaram qualquer tipo de tratamento para a condição

A perda involuntária de urina faz parte da rotina de mais da metade das brasileiras com 40 anos ou mais. É o que revela a pesquisa “Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil”, realizada pelo instituto Ipsos a pedido da Apsen. Segundo o levantamento, divulgado nesta quarta-feira (5), 56% das mulheres nessa faixa etária convivem com a incontinência urinária, mas 87% delas nunca realizaram qualquer tipo de tratamento para a condição.

Embora seja mais frequente com o avanço da idade, a incontinência urinária ainda é cercada por constrangimento e desinformação. O estudo indica que muitas mulheres preferem adaptar a rotina para lidar com os sintomas em vez de procurar atendimento especializado.

A pesquisa foi realizada entre 30 de junho e 8 de julho deste ano com 1.500 mulheres de 40 anos ou mais, das classes A, B e C, residentes em todas as regiões do país.

Rotina muda por medo de escapes

Entre as mulheres que convivem com a perda involuntária de urina, 52% afirmaram ter mudado hábitos por receio de sofrer escapes em público. As adaptações mais frequentes incluem o uso preventivo de absorventes, protetores diários ou fraldas, citado por 33% das entrevistadas. Outras estratégias envolvem planejar deslocamentos de acordo com a localização de banheiros (11%), escolher roupas específicas e até reduzir ou abandonar atividades físicas.

O impacto também vai além do aspecto físico. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relataram aumento da ansiedade, do estresse, da vergonha ou da tristeza em função da condição. Além disso, um terço das entrevistadas disse já ter escondido ou evitado conversar sobre o problema com pessoas próximas.

Segundo a psiquiatra e especialista em Sexologia Médica Carmita Abdo, os efeitos da incontinência podem comprometer diferentes aspectos da vida. “Pode interferir na forma como a mulher se conduz com seu próprio corpo, com as atividades cotidianas e com seus relacionamentos. Quando uma condição de saúde limita momentos importantes da vida, como sair, trabalhar ou conviver com tranquilidade, é fundamental criar espaços de acolhimento e conversa para que ela possa buscar ajuda sem constrangimento”, afirma.

Vergonha ainda impede busca por ajuda

O levantamento mostra que falar sobre a condição continua sendo um desafio, inclusive durante consultas médicas. Entre as mulheres com mais de 50 anos que apresentam incontinência urinária, 64% afirmaram ter dificuldade para abordar o assunto, mesmo com profissionais de saúde.

Outro dado chama atenção: 54% disseram que nunca foram questionadas por ginecologistas, clínicos gerais ou outros especialistas sobre episódios de perda urinária durante atendimentos de rotina.

Para a urologista Rebeka Cavalcanti, coordenadora do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia no Rio de Janeiro (SBU-RJ), isso contribui para atrasar o diagnóstico. “Os resultados mostram uma realidade que observamos na prática clínica: muitas mulheres convivem com sintomas de incontinência urinária por longos períodos antes de buscar avaliação especializada. O diagnóstico adequado é fundamental para definir a melhor abordagem para cada paciente”, destaca.

Conhecimento nem sempre leva ao tratamento

Apesar de 58% das entrevistadas saberem que a incontinência urinária pode ser tratada, apenas 13% das mulheres que apresentam o problema fazem algum tipo de tratamento. Além disso, 19% afirmaram desconhecer que existem tratamentos especializados, diferentes tipos de incontinência urinária ou que o urologista também atende mulheres. Ao mesmo tempo, a maioria reconhece a gravidade da condição: 79% consideram a incontinência urinária um problema de saúde que merece atenção.

Os dados fazem parte da campanha Escape do Tabu, iniciativa da Apsen voltada à conscientização sobre a saúde urinária feminina e ao incentivo ao diagnóstico e ao tratamento da incontinência urinária. Segundo a empresa, o objetivo é ampliar o acesso à informação e reduzir o estigma que ainda envolve o tema.

Fonte: O Tempo

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