Diarreia explosiva: infecção que já matou dois nos EUA pode chegar ao Brasil?

Nos últimos dias, os Estados Unidos vêm passando por um surto de ciclosporíase – provocado pelo parasita Cyclospora. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) contabilizaram 6.707 casos confirmados nacionalmente, com outros 11,5 mil suspeitos até a última atualização, em 28 de julho. A situação é especialmente dramática no estado de Michigan, onde a “diarreia explosiva”, como é chamada, já causou duas mortes confirmadas. Há o risco de o surto se espalhar para outros países, incluindo o Brasil?
De acordo com o médico Vitor Mendes de Sá, diretor da Associação Mineira de Gastroenterologia, trata-se de um surto localizado e é bastante improvável que os casos se alastrem para fora do território norte-americano.
“Não é uma infecção que passa de uma pessoa para a outra. O cisto do parasita precisa estar presente na água ou no vegetal contaminado, por exemplo. Tem relação com consumo direto”, explica.
A suspeita mais forte é que o surto tenha explodido após o consumo de alfaces vendidas pela empresa Taylor Farms e plantadas na região central do México. O problema se tornou nacional porque essa companhia é fornecedora da rede de fast food Taco Bell. “
“Justamente por isso é improvável que o surto se espalhe. É um tipo de produto que não importamos para consumo e, depois de identificado o problema, provavelmente já tenha sido recolhido por lá. Além disso, se algum brasileiro comeu e foi contaminado, por exemplo, é improvável que transmita para alguém chegando aqui”, esclarece.
Segundo um informe do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (Cievs – SES/SP), desde 1995 vários surtos de ciclosporíase foram documentados nos EUA e no Canadá e, em 2000, houve um primeiro surto da doença em General Salgado, cidade do interior paulista. Foram mais de 350 casos de diarreia ligados ao parasita. Outros casos já foram confirmados no estado e também em Goiás.
De onde vem a “explosão”?
Além do grande número de casos, a infecção também chamou a atenção ao ser apelidada de “diarreia explosiva”. Segundo o especialista, isso se dá porque a ciclosporíase é caracterizada por fortes gases. “Além das evacuações constantes, elas podem vir acompanhadas de uma quantidade excessiva de gás. Também podem haver náuseas e distensão abdominal”, diz o médico.
Ele também explica que, entre o período de contaminação e o surgimento dos sintomas, podem transcorrer de uma semana a 10 dias. “A diarreia pode durar algumas semanas e o tratamento é feito por meio de antibióticos. No entanto, a infecção pode ser assintomática. Os casos mais complicados costumam se dar em indivíduos imunossuprimidos, que têm menos mecanismos de defesa”, aponta.
Fonte: O Tempo


















