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Greve da Caixa pode atrasar financiamento de imóveis, e especialistas orientam compradores

Redação16 de setembro de 20267min0
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Movimento foi iniciado no dia 10 de setembro e já impacta mercado imobiliário

A greve dos servidores da Caixa começou há menos de uma semana, no dia 10 de setembro, e já causa impactos no mercado imobiliário. Enquanto funcionários do banco cruzam os braços à espera de concluir as negociações com a estatal, clientes que planejavam obter um financiamento imobiliário com o banco ou estavam no meio do processo têm experienciado atrasos, segundo despachantes e outros profissionais do ramo.

“A greve é por tempo indeterminado e pode atrasar etapas que envolvam análise de documentos, validação de FGTS, aprovações jurídicas e assinatura presencial de contratos”, introduz a diretora do diretora da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Roberta Maia.

A lentidão no processo é observada na prática pelo correspondente da Caixa na empresa Latalisa Serviços Imobiliários Felipe Freitas. “Quando o cliente está procurando um imóvel, vai à imobiliária, fecha negócio e ela indica um correspondente bancário para aprovar o crédito. Por sermos uma empresa privada, conseguimos aprovar o crédito e pedir a vistoria do imóvel, que também é terceirizada. Depois disso, juntamos a documentação do proprietário e mandamos para análise de documentos. Mas esse setor está parado, porque é de funcionários da Caixa”, diz ele.

Mesmo após a greve, a lentidão pode persistir, pontua Maia, da CMI/Secovi-MG. “Pode ocorrer o ‘efeito fila’. Os processos se acumularão e não sabemos se serão muitos ou não”, pontua ela.

Com a demora – antes e depois da greve –, prazos estabelecidos no contrato de compra e venda podem expirar. Embora o comprador não esteja automaticamente isento de pagar multas ou mesmo de ter o contrato desfeito devido à greve, há formas de minimizar o risco, diz a advogada especialista em direito bancário Lilian Salgado.

Ela recomenda documentar as tentativas de contato e de avanço com a Caixa, que podem servir como argumento para assegurar os direitos do comprador. “O consumidor deve fazer um email ou uma carta mostrando que esse atraso contratual é decorrente da greve. Ele pode negociar uma dilatação dos prazos, por exemplo. É muito importante o comprador entrar em contato com o vendedor e verificar se é possível fazer um aditivo contratual”, recomenda ela.

Mesmo com atrasos e riscos, as fontes ouvidas pela reportagem concordam que é possível iniciar o processo de financiamento de imóveis neste momento, em vez de esperar até o fim da greve – que não tem prazo para ocorrer. “O que pode ser feito de forma online já pode ser pleiteado. É importante dar entrada, porque a greve pode até ser positiva para o comprador e dar a ele um momento de se organizar financeiramente para conseguir o financiamento”, orienta Roberta Maia, da CMI/Secovi-MG.

A Caixa tem uma participação de quase 68% na oferta de crédito imobiliário no Brasil. Mas o despachante Alessandro Senra lembra que, independentemente da greve, é possível que o comprador busque outras fontes de recursos. “Há opções no mercado. Há bancos que não têm condições tão atrativas quanto as da Caixa, mas o cliente que tem relacionamento com eles acabam seguindo a operação com eles por terem aprovação de crédito mais ágil”, destaca.

Entenda a greve da Caixa

A greve dos servidores da Caixa foi aprovada nacionalmente pelos bancários, que negociam as condições de reajuste do salário e benefícios neste ano. O principal ponto de discordância entre eles e a empresa pública é o plano de assistência médica dos empregados. Os trabalhadores rejeitam uma mudança no modelo de custeio do plano, que aumentaria a participação deles no pagamento e reduziria a da própria Caixa.

Procurado pela reportagem, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região reforçou o direito de greve dos trabalhadores e o papel da própria Caixa em fornecer alternativas aos consumidores.

“As instituições financeiras devem orientar seus clientes sobre as alternativas disponíveis para o pagamento de contas, boletos, tributos e demais compromissos financeiros durante a greve, informando os canais e procedimentos que podem ser utilizados para evitar transtornos ou o vencimento de obrigações. A greve é um direito constitucional dos trabalhadores e não deve resultar em prejuízos aos clientes e à população. Cabe aos bancos garantir informação adequada e disponibilizar alternativas de atendimento durante o movimento”, disse.

A Caixa afirmou, em nota, que, durante a paralisação dos funcionários, os clientes podem utilizar normalmente os canais digitais e remotos do banco, como o App Caixa. Também estão disponíveis o Internet Banking Caixa, o WhatsApp Caixa (0800 104 0104) e os aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS.

“O atendimento telefônico está disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004 0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0104 (demais localidades). Além das agências, a rede física de atendimento da Caixa disponibiliza caixas eletrônicos, unidades lotéricas, Correspondentes Caixa Aqui (CCA) e terminais da rede Banco24Horas. A localização das lotéricas e CCAs pode ser consultada na página de atendimento do banco”, prossegue o texto.

Fonte: O Tempo

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