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Fitoterápicos ajudam na menopausa? Médicas explicam o que funciona e quais são os riscos

Redação6 de outubro de 202610min0
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Produtos à base de plantas podem aliviar sintomas como fogachos, ansiedade e insônia, mas não substituem avaliação médica nem são indicados para todas mulheres

Cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil estão na faixa etária do climatério e da menopausa, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio às mudanças provocadas por essa fase da vida, cresce também a busca por alternativas para aliviar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, ansiedade e outros desconfortos que podem afetar a qualidade de vida. Entre elas estão os fitoterápicos, produtos derivados de plantas medicinais que podem ser encontrados tanto na forma de suplementos quanto de medicamentos.

Mas a ideia de que, por serem naturais, esses produtos podem ser usados livremente é um dos principais pontos de atenção. As respostas variam de uma mulher para outra, alguns produtos têm contraindicações e o uso inadequado de plantas medicinais pode provocar efeitos adversos. O tema foi discutido durante palestras no XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia, realizado na última semana, em São Paulo (SP).

Fitoterápico não repõe hormônio

Antes de escolher um produto, é preciso diferenciar os termos que costumam aparecer nas embalagens e nas recomendações. Fitoterápicos são preparados a partir de extratos concentrados de plantas medicinais. Eles podem ser classificados como medicamentos fitoterápicos ou fazer parte de suplementos alimentares.

Segundo Marcella Garcez Duarte, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a principal diferença em relação à terapia hormonal é que os fitoterápicos não têm como objetivo repor os hormônios que diminuem durante a menopausa. “Fitoterápico, no geral, não é terapia de reposição hormonal, não faz reposição hormonal. É tratamento sintomático”, explica.

Isso significa que a finalidade é aliviar manifestações específicas da menopausa, e não restabelecer os níveis hormonais. Por isso, a resposta também não é igual para todas as pacientes. “Você vai conhecer pessoas que vão tomar um chá de amora preta ou branca, ou de passiflora, e algumas vão ter super efeito, enquanto outras não vão ter. A diferença está no organismo de cada pessoa”, afirma Marcella.

Segundo a médica, fatores como composição bioquímica, equilíbrio inflamatório, microbiota e outras condições de saúde podem influenciar a resposta de cada organismo.

Quais plantas podem ser usadas?

Conforme Marcella, entre os fitoterápicos utilizados para sintomas da menopausa estão produtos derivados da soja, dos quais são obtidas isoflavonas concentradas. Eles podem ser considerados como tratamento complementar para mulheres que têm contraindicação à terapia hormonal ou que não desejam fazer esse tipo de tratamento.

Outra opção é a Cimicifuga, utilizada para sintomas vasomotores, como os fogachos e os chamados “calorões”. Já o Trifolium pratense, conhecido como trevo vermelho, também é encontrado em medicamentos fitoterápicos destinados ao tratamento de sintomas da menopausa. Nenhum deles, porém, é terapia de reposição hormonal.

Há ainda produtos derivados de plantas usados na forma de chás, infusões e suplementos. A passiflora, por exemplo, pode ser utilizada por mulheres com ansiedade e insônia. Marcella cita ainda produtos à base de inhame e amora.

A médica ressalta, porém, que o fato de alguns desses produtos serem vendidos sem receita não significa que sejam adequados para qualquer mulher.

Cuidados com o uso

A resposta individual é um dos principais motivos para evitar a automedicação. Maria Socorro Morais, médica nutróloga e ginecologista e diretora da Abran, ressalta que a menopausa não ocorre da mesma forma para todas as mulheres e, portanto, não existe um único tratamento que funcione para todas. “Cada mulher tem a sua menopausa. Então, muitas vezes, o que deu muito certo para a minha vizinha não vai dar certo para mim”, afirma.

A avaliação é ainda mais importante para mulheres com determinadas condições de saúde. A médica cita como exemplo as sobreviventes de câncer de mama com receptores positivos para estrogênio, para as quais alguns fitoterápicos não podem ser utilizados.

Também há produtos que podem provocar efeitos adversos, como dores estomacais e mal-estar. A combinação indiscriminada de diferentes plantas medicinais pode aumentar os riscos.

“Dependendo da escolha, as plantas medicinais podem ter efeitos não desejáveis, até maléficos. Se a pessoa misturar plantas inadequadas, pode ter algum tipo de intoxicação”, alerta Marcella.

A recomendação, portanto, é que mesmo produtos que não exigem receita sejam escolhidos com orientação profissional, de preferência do médico que acompanha a mulher.

Estilo de vida também faz parte do tratamento

Embora os fitoterápicos possam ter espaço no cuidado de algumas pacientes, Maria Socorro destaca que eles não devem ocupar o centro da estratégia de tratamento. “Hoje, mais do que nunca, o tratamento número um para a menopausa é a mudança no estilo de vida da mulher. É melhorar a alimentação, fazer exercício físico e educar as pessoas para envelhecer com qualidade de vida”, evidencia.

A médica também ressalta que a terapia hormonal não deve ser encarada como uma solução universal. Segundo ela, a abordagem da menopausa passou por diferentes fases nas últimas décadas. Antes de 2002, havia uma utilização mais ampla da terapia hormonal, inclusive com a expectativa de benefícios para diferentes aspectos da saúde. Depois da divulgação dos resultados do estudo WHI (Women’s Health Initiative), houve um período de maior receio em relação ao tratamento. Mais recentemente, o tema voltou a ser discutido, com uma avaliação mais individualizada das indicações.

“Não é só de hormônio que se pode viver a menopausa, e também não é só da ausência dele. Há indicações precisas, mas, mais do que nunca, precisamos preparar os profissionais médicos para entender e acolher a mulher”, salienta Maria Socorro.

Menopausa não se resume aos fogachos

A maior discussão sobre o tema também ampliou o olhar para sintomas que durante muito tempo foram pouco abordados. Entre eles está a saúde sexual, que, segundo Maria Socorro, passou a fazer parte da avaliação de suas pacientes.

“Hoje faz parte da minha consulta perguntar como está a saúde sexual das pacientes. Não quer dizer que você tenha que ter um parceiro, mas você tem que, de alguma forma, ter esse pilar dentro da sua qualidade de vida”, afirma.

A médica considera a atenção à sexualidade uma das contribuições importantes da medicina para a compreensão da menopausa no século XXI. O bem-estar sexual se soma a outros pilares, como alimentação adequada, atividade física e sono.

A transição pode ser uma oportunidade de prevenção

Para Maria Socorro, o cuidado pode começar antes de a mulher chegar à menopausa propriamente dita. Na chamada transição menopáusica, quando os ciclos menstruais começam a ficar irregulares, é possível avaliar como aquela mulher está passando pela mudança e quais são suas necessidades.

Segundo a especialista, a fase entre os 45 e 48 anos pode ser uma janela de oportunidade para identificar características que ajudarão a orientar os cuidados posteriores: se haverá muitos sintomas vasomotores, por exemplo, ou se existe maior preocupação com a perda de massa óssea.

A médica defende que o objetivo seja preparar a mulher para o envelhecimento com saúde, levando em conta não apenas os sintomas da menopausa, mas também a saúde óssea, muscular, sexual e cardiovascular.

“Cada mulher tem a sua menopausa e cada mulher tem o seu tratamento, para que ela chegue à longevidade com qualidade de vida, com saúde óssea, com saúde muscular”, conclui.

Fonte: O Tempo

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