Polifarmácia: geriatra explica os riscos do uso simultâneo de medicamentos por idosos

A polifarmácia ocorre quando um paciente faz o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Esta é a situação de 23,8% dos idosos analisados em um estudo publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, em 2025.
A médica geriatra Claudia Caciquinho, professora da Faculdade UNIBH, explica por que os remédios são tão comuns no cotidiano das pessoas com 60 anos ou mais. “Mais da metade dos idosos no Brasil tem várias doenças crônicas, as multimorbidades são comuns hoje. Quem tem diabetes, por exemplo, toma uns quatro remédios diferentes para a doença. Quem tem hipertensão, normalmente toma dois anti-hipertensivos. Então, quando se associam várias doenças, chegam a vários remédios”.
Durante participação no programa Acir Antão, da Itatiaia, nesta sexta-feira (30), a especialista detalhou o que é polifarmácia. “A gente considera [polifarmácia] quando a pessoa usa mais de cinco medicamentos. A partir daí, o risco de ter efeitos colaterais de um medicamento dobra. Uma pessoa que usa 10 remédios tem 100% de chance de ter efeito colateral de um deles”, alertou a médica.
No caso de idosos, os efeitos colaterais podem causar ainda mais problemas. “Fica tudo muito mais sensível, porque a reserva funcional de cada órgão é reduzida. O rim fica mais vulnerável a sofrer lesões de alguma droga e tem menos condições de eliminá-la. O medicamento fica mais tempo circulando e tem um potencial de fazer mal maior”, afirma a geriatra.
Entre os sinais de alerta, a médica cita: “tonturas, quedas, sonolência e confusão mental”. Segundo ela, em um terço das quedas, efeitos colaterais de remédios podem estar envolvidos.
Como evitar que médicos diferentes prescrevam o mesmo medicamento
É comum que idosos recebam prescrições de várias especialidades médicas diferentese terminem com uma lista extensa de medicamentos para ingerir no cotidiano. Muitas vezes, os remédios têm a mesma finalidade.
“É um problema muito frequente o paciente chegar com a receita de um médico e de outro que passaram medicações com a mesma finalidade, porque não sabiam que o primeiro já tinha prescrito. Então, é muito importante que o paciente leve ao médico toda a lista de remédios que ele já usa, uma lista única com todos”, orienta a Dra. Claudia Caciquinho.
Se não for possível fazer uma lista, a médica recomenda reunir todos os medicamentos e levá-los numa sacola no dia da consulta.
Fonte: Itatiaia

















