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Analfabetismo funcional: como o Brasil vai eleger um presidente?

Redação21 de agosto de 20187min2
economia

Depois de poucos dias de os partidos anunciarem os candidatos e pré-candidatos para disputarem a Presidência do Brasil, os postulantes começaram suas aparições na mídia e apresentam suas ideias e planos. É uma ótima hora para avaliar quem tem um bom plano para o país. Uma observação que tenho para fazer a respeito deste período de campanha é a sobre as promessas feitas pelos políticos: coincidência ou não, todos eles têm o hábito de esquecer que o país é habitado por pessoas – por gente!. Garantem investimentos em infraestrutura de todo tipo, de benesses alucinógenas, porém, se esquecem que a população não tem garantido recursos básicos para sobrevivência e para sua independência e vida digna.

Em um país assolado pela pobreza e emergente, com relação à economia mundial, é necessário buscar alguém que proponha, como requisito básico, o investimento em educação, dado que vivemos em um país que enfrenta o analfabetismo funcional, o que leva o Brasil a uma desvantagem competitiva em relação ao mundo alarmante! E este é o tema do post de hoje: como o Brasil vai decidir por um presidente se apenas 22% dos universitários do país são plenamente alfabetizados?

Você consegue dimensionar isto? De cada 100 pessoas que deixam a faculdade, 68 não conseguem ter uma compreensão ampla de um enunciado, segundo a pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa. E reforço aqui: não compreendem um enunciado!

Estudo divulgado nesta semana pela Unicef, baseado em levantamento feito pelo IBGE de 2015, mostra que 6 a cada 10 crianças e adolescentes no país vivem na pobreza – são pobres ou têm privação de direitos. Ou seja, 32 milhões de meninas e meninos vivem na pobreza em várias dimensões. Daí, vem o dado alarmante: mais de 15 milhões são privadas de acesso à educação e à informação.

Por outro lado, existem milhões de crianças na escola, mas elas não estão aprendendo. Segundo levantamento do Banco Mundial, se mantivermos o nível atual de evolução em educação, chegaremos ao patamar dos países desenvolvidos em 238 anos para questões de leitura e 75 anos para questões de matemática! O poder público brasileiro deixou de realizar um ensino inclusivo, equitativo (que permite a competição justa) e de qualidade há muito tempo. Até agora, nenhum candidato a presidente tem mostrado empunhar esta bandeira fundamental para o desenvolvimento do país. O Brasil tem que formar cidadãos globais, que saibam trabalhar em equipe, que saibam persistir, que tenham resiliência e muita criatividade em função do mundo que já se descortinou à nossa frente, o mundo da robotização – da automação e da inteligência artificial.

Em um cenário em que as redes sociais são fortes aliadas dos políticos para divulgarem suas propostas, basta uma análise simples de alguns textos e respectivos comentários para comprovar que o brasileiro não compreende o que lê. Isto pode vir aliado a sentimentos negativos que resultam em ofensas, agressões e até fake news.

No Brasil, em que existe a escolarização, mas o sistema de escolas públicas é falho e os professores não valorizados, não são bem treinados e não são reciclados, nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal. Existe gente que escreve na internet que é contra a decisão de um determinado juiz de condenar ou soltar alguém sem, no entanto, nem sequer compreender os detalhes técnicos legais pelos quais foi tomada aquela decisão. Há aqueles também que recomendam um remédio para determinada doença, sem ter conhecimentos médicos.

E no contexto das eleições, existem as pessoas que difundem opiniões sobre candidatos e suas campanhas, sem ao menos ler uma linha de suas propostas. Muito menos clicam nas reportagens sobre o assunto em seus feeds de notícias nas redes sociais, interpretando (e falando com propriedade sobre o assunto), depois de apenas ler o título da matéria.

Com todas estas evidências e fatos, é hora de colocar a educação nas escolas, a escrita, o gosto pela leitura e a interpretação de texto como uma das prioridades de análise das políticas de Estado para decidir o futuro da presidência do Brasil. De outro lado, também precisamos de candidatos que não precisam decorar palavras para falar em público, o que reforça também o analfabetismo funcional. Volto a pergunta feita no início do texto: como o país vai eleger um presidente? E acrescento outra: qual candidato cumpre com estes requisitos relativos à educação de qualidade?

O futuro das próximas gerações é hoje e está em nossas mãos! É preciso coragem para mirar em nossos candidatos a presidente e se arriscar em um futuro tão incerto pela falta de propostas no campo do que de fato faz a diferença de uma nação – a nossa educação.

 

Fonte: Mayara Guerrero

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2 comentários

  • Bruna

    21 de agosto de 2018 at 9:52

    Gostei do artigo, mas tenho uma ressalva: “O poder público brasileiro deixou de realizar um ensino inclusivo, equitativo (que permite a competição justa) e de qualidade há muito tempo.” – o governo não deixou de investir “há muito tempo” na educação, ele simplesmente nunca investiu. Caso contrário, veríamos os nascidos das décadas de 60,70,80 contribuindo efetivamente com algo no país, e o que me parece é que o analfabetismo funcional é mais grave ainda para gerações essa gerações. Basta ver, por exemplo, a base apoio do Bolsonaro, que caracteriza muito bem o analfabetismo funcional, dado que ele não tem conhecimento sobre nenhuma área política e social, mas mesmo assim está em primeiro/segundo lugar nas pesquisas. Esse analfabetismo funcional pode nos levar a dois cenários muito ruins: o mais provável, Geraldo Alckmin se elege e continua o governo Temer e no outro, Bolsonaro quebra o país pq vai afastar investimentos além de provavelmente colocar lunáticos como ministros. Eu sinceramente só vejo projeto no Ciro Gomes.

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  • Cruz

    21 de agosto de 2018 at 10:35

    É muito preocupante o analfabetismo funcional do Brasileiro. Assim como a preguiça em pensar, analisar e avaliar candidatos, bem como a alienação ao julgar que o que ocorre no Executivo e Legislativo Federal pouco afeta a população no geral. Essa atitude de parte da população é o que coloca o Brasil nesse cenário desolador que vivemos agora, de poucas perspectivas e uma degradação constante. Basta observar o cenário econômico, o avanço da criminalidade em todos os cantos, além de péssima qualidade de educação na maioria das escolas públicas.
    Em termos de administração do país, o principal problema está ligado a “corrupção”. Uma vez que essa trás consigo diversos outros males que nos assolam. Um politico corrupto se vende a outros, faz coligações inadequadas, distribuir cargos em ministérios e empresas públicas a políticos incapazes e também corruptos. Esses ministérios ou empresas deixam de cumprir seu papel, passando a atender interesses de indivíduos e grupos, em detrimento da sociedade e da nação. Esse ciclo vicioso vem permeando a décadas no Brasil, movendo-se por um sistema quase que imutável. Mantido por um séquito de indivíduos e partidos que se vendem e fazem de tudo para se manterem no poder, mesmo que isso signifique quebrar o país.
    Outro grande problema é o viés ideológico, bem demonstrado nos últimos governos. Onde as ideologias vem criminosamente dividindo a sociedade em cor, capacidade financeira, preferencias sexuais, dentre outras. E, parte da população não consegue enxergar que indivíduos da pior espécie possível apenas os usam para chegar a seus objetivos. Sendo que essas ideologias vem causando uma ruptura nos padrões de respeito mutuo, igualdade, convívio e busca coletiva pelo melhor ao país. As ideologias, em especial as de extrema esquerda, que quase sempre usam a democracia como lema, mas acabam por se enveredar pela “corruptocracia”, destroem tudo por onde passam. Basta observar o exemplo da Venezuela. A economia se desmancha, a educação se torna totalmente precária e ineficaz, a população se divide, até que o país entre em colapso.
    Haveria muito mais a ser abordado, mas o ponto central é que, antes de tudo, o eleitor deve evitar votar em qualquer candidato envolvido em casos de corrupção, sejam eles condenados, processados ou indiciados por esse tipo de crime. Não se deveria, de forma alguma, votar em alguém suspeito de corrupção, porque esse é o mal que vem causando tantos problemas ao Brasil, afetando a todas as classes. Segundo, deve-se observar bem as promessas milagrosas, o “mais do mesmo” que os políticos conhecidos vem praticando a tempos e o povo já conhece bem, o viés ideológico manipulador e políticos comprovadamente tendenciosos já conhecidos. Que o povo comece a pensar um pouco mais, pautando pela honestidade primeiramente!

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