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Peças de brinquedo são usadas como prótese em tartaruga

Gerson Dias16 de abril de 20194min0
Veterinário do interior de Minas usa peças de brinquedo como prótese para tartaruga

Peças de brinquedos e resina são agora a nova maneira de locomoção de uma tartaruga de água doce em Uberaba (MG). A criatividade e inovação vieram do gerente clínico do Hospital Veterinário da cidade, Cláudio Yudi, e dos alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Uberaba (Uniube).

A tartaruga, batizada de Michelangelo, é conhecida como cágado-de-barbicha. Ela foi recolhida pela Polícia Militar Ambiental e levada ao Hospital para receber cuidados. “O animal não apresentava as duas patas traseiras, como não sabemos do caso, a possibilidade maior é que o animal tenha nascido sem elas. Então nós ficamos com uma grande dificuldade, do que iria substituir a falta dessas patas”, conta o médico veterinário e professor universitário.

A solução sugerida foi bem simples, usar peças de brinquedos resistentes para adaptar uma melhor forma de locomoção para o Michelangelo. “Não substituiria as patas, mas serviria de apoio para que esse animal pudesse andar melhor e resolveu. Nós adaptamos oito peças de brinquedo que foram coladas na carapaça dele e que foi um sucesso, hoje o animal anda muito bem, ele consegue movimentar com essas adaptações de rodinha”, continua.

Para a aplicação das próteses foi utilizada uma resina, mas sem prejuízos à saúde animal. “Nós utilizamos uma cola especial, uma cola até utilizada por dentistas. É uma cola que adapta materiais orgânicos em tecidos vivos. Uma adaptação muito comum, inclusive, que nós utilizamos tanto em humanos como animais e tem dado um resultado muito bom”, pontua.

Ainda segundo Yudi, o animal respondeu muito bem à adaptação. “As tartarugas, em especial, conseguem se adaptar muito bem a próteses, nós já temos experiências com outros animais. Entretanto, é um animal que não vai poder voltar à natureza, porque não tem as duas patas, o que vai dificultar a hora de nadar e na mudança de ambiente, de água para terra, vice-versa. Então ele ficará conosco para estudos e novas adaptações no hospital”, finaliza.

 

Criatividade animal

A tartaruga Michelangelo não é a primeira a receber uma prótese criativa pelo Hospital Veterinário de Uberaba (HVU). Foram, ao todo, oito animais atendidos, dentre: aves carcarás, jabutis, cágado, lobo guará e, até mesmo, coruja. “Nós sempre tentamos trazer, ao mesmo tempo, tecnologias novas e simplicidade. Além disso, o trabalho em equipe, em que os alunos também participam ativamente e podem dar opinião sobre as atuações no Hospital. Hoje não é somente o professor que ensina, os alunos também dessa nova geração têm muito a nos ensinar”

Ascom Prelo Comunicação

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