Sorvete no frio e tomar vacina causam gripe? Veja 5 mitos e verdades sobre a doença


Basta chegar o frio que frases como “tomar sorvete provoca resfriado” ou “dormir de janela aberta causa gripe” ganham as conversas. Por mais que esses ditos populares sejam bem intencionados, especialistas alertam que é preciso entender o que é mito e o que é realidade quando falamos de doenças comuns do inverno – que começou nesse domingo (21/6).
Confira abaixo cinco mitos e verdades:
Ingerir alimentos gelados ou lavar cabelo no frio causa gripe.
Mito. Raquel Gomes, presidente da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), esclarece que resfriados e gripes são causados por vírus. “Então, andar descalço, tomar chuva no frio, não se agasalhar, dormir de janela aberta, ingerir bebidas geladas ou lavar cabelo à noite não vão deixar a pessoa resfriada ou gripada”, diz.
Gripes e resfriados são infecções respiratórias causadas por vírus diferentes. A gripe é provocada exclusivamente pelo vírus Influenza, enquanto os resfriados são causados por mais de 200 tipos de vírus, sendo os mais comuns o Rinovírus, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e os tipos sazonais de Coronavírus.
Apesar de o frio em si não causar gripes ou resfriados, a médica Rozana de Fátima Gonçalves, presidente da Sociedade Mineira de Alergia e Imunologia – Regional Minas Gerais, explica que as temperaturas mais baixas podem causar uma queda na imunidade e favorecer infecções.
“Também é preciso nos atentar para a diferença entre os sintomas. Gripe geralmente causa dores no corpo, febre, congestão com dor facial. Já o resfriado pode provocar dor de garganta e excesso de coriza”, aponta.
Gripe pode causar pneumonia.
Verdade. Segundo Rozana, enquanto resfriados não podem evoluir para pneumonia, a gripe pode sim evoluir para pneumonia. “Isso acontece porque o vírus da gripe debilita o sistema imunológico e lesiona as vias respiratórias, facilitando a invasão dos pulmões pelo próprio vírus ou por bactérias. Não podemos nos esquecer que a mucosa pulmonar é uma continuação da mucosa nasal”, afirma.
Vacinas podem causar gripe.
Mito. Adelino Freire, infectologista cooperado da Unimed BH e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), explica que as vacinas contra influenza utilizadas no Brasil são produzidas com vírus inativados, incapazes de causar a doença.
“O que pode ocorrer são reações leves, como dor no local da aplicação, febre baixa, mal-estar ou cansaço por um ou dois dias, que são sinais da resposta do organismo à vacina”, aponta.
Segundo ele, o fato de alguém adoecer depois de tomar a vacina pode ter várias explicações. “A pessoa pode estar incubando um vírus respiratório quando recebe a vacina e pode adquirir a infecção nos dias seguintes, antes de desenvolver proteção adequada. Ela também pode estar infectada por outros vírus respiratórios que não são influenza. Além disso, vale lembrar que nenhuma vacina oferece proteção de 100%, embora reduza significativamente o risco de casos graves, internações e mortes”, aponta.
Ele reforça que a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção contra as formas graves da gripe e que os benefícios superam amplamente os riscos.
“Mesmo quando não impede completamente a infecção, a vacina costuma reduzir a intensidade dos sintomas, o risco de complicações e a necessidade de hospitalização. As reações à vacina costumam ser leves e transitórias, enquanto a influenza pode causar pneumonia, descompensação de doenças crônicas, internações e óbitos, especialmente em idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas”, destaca.
Vitamina C previne ou ajuda a curar gripes e resfriados mais rapidamente.
Mito. Não há vitamina, suplemento ou medicação que mostrem evidências científicas de que funcionem para prevenir doenças. “A vitamina C também não reduz sintomas e nem acelera a recuperação. A doença segue seu curso normalmente e o paciente terá sintomas independentemente de estar tomando algum tipo de vitamina”, alerta Rozana.
Crianças podem adoecer mais facilmente que os adultos nessa época do ano.
Verdade. De acordo com a pediatra Raquel Gomes isso acontece porque crianças de até cinco anos, especialmente as que ainda não completaram um ano de vida, ainda estão com seu sistema imune em construção. No inverno, a aglomeração em ambientes fechados e maior replicação de alguns tipos de vírus podem atingir em cheio a saúde dos pequenos.
“Ambientes fechados propiciam a concentração de pessoas e favorecem a transmissão de microorganismos. Crianças que frequentam escola podem adoecer até 15 vezes ao ano”, explica a especialista.
Ela também orienta que os pais devem evitar enviar os filhos doentes às aulas. “A criança precisa de cuidados, medicação e observação em casa. Além disso, essa medida ajuda a evitar a transmissão para outras crianças. O tempo de isolamento varia dependendo da doença, mas, em média, é de 5 a 7 dias após o início dos sintomas”, aponta.
A médica reforça ainda a importância de aplicar a vacina da gripe em crianças entre seis meses e seis anos incompletos. “O imunizante é disponibilizado anualmente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e para portadores de comorbidades específicas. Entretanto, pela possibilidade de doença grave e a facilidade da prevenção segura através da vacinação, esta é sugerida para o público geral e não apenas os de risco”, diz.
Confira dicas rápidas dos especialistas:
Para prevenir gripes e resfriados:
- Evite locais aglomerados e fechados;
- Evite ficar perto de fumantes;
- Mantenha a vacinação em dia;
- Higienize as mãos com frequência;
- Mantenha o ambiente ventilado;
- Evite contato próximo com pessoas doentes e utilize máscara quando estiver com sintomas respiratórios ou em locais de maior risco.
Para quem já está doente:
- É recomendável repouso, hidratação adequada e controle dos sintomas;
- Realize lavagem nasal (com volume, dispositivo e técnica adequados);
- Pessoas com falta de ar, febre persistente, piora clínica ou que pertençam a grupos de risco devem procurar avaliação médica precocemente.
Fonte: O Tempo

















