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Alívio para produtores: café fica de fora das tarifas anunciadas pelos EUA

Redação17 de julho de 20266min0
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Isenção preserva um dos principais produtos de exportação do Brasil e traz alívio para produtores do Sul de Minas, maior região cafeeira do país

O café brasileiro ficou de fora da nova rodada de tarifas anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. A decisão foi recebida com alívio pelo setor cafeeiro, especialmente em regiões produtoras como o Sul de Minas, onde a cafeicultura é uma das principais atividades econômicas.

As novas tarifas, de 25%, foram anunciadas nesta quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passam a valer a partir do próximo dia 22. Apesar da sobretaxa atingir diversos produtos brasileiros, o café permaneceu na lista de exceções, ao lado de itens como aeronaves da aviação civil, petróleo, carne bovina, celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.

A decisão tem grande importância para o Brasil, que é o maior produtor e exportador de café do mundo. Os Estados Unidos também ocupam posição estratégica para o setor, sendo o maior consumidor e importador mundial da bebida.

Vitória para o setor cafeeiro

Entidades representativas da cadeia produtiva, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), comemoraram a exclusão do café da lista de produtos tarifados.

Segundo as entidades, o resultado é fruto de um intenso trabalho realizado desde o primeiro anúncio de tarifas, em 2025, incluindo participação em audiências públicas promovidas pelo governo norte-americano nos dias 6 e 7 de julho deste ano.

Em nota conjunta, as instituições destacaram que a atuação em parceria com a National Coffee Association (NCA) e com importadores americanos garantiu duas conquistas importantes: a manutenção do café brasileiro na lista de exceções e a inclusão do café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos da nova tarifa.

As entidades afirmam que a medida ajuda a proteger exportações brasileiras que movimentam entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano para o mercado norte-americano, preservando a competitividade do produto brasileiro.

Impacto para o Sul de Minas

Embora a decisão tenha alcance nacional, ela é especialmente relevante para o Sul de Minas, principal região produtora de café do país. Municípios como Muzambinho, Guaxupé, Cabo Verde, Nova Resende, Monte Belo e diversas cidades vizinhas têm na cafeicultura uma das bases da economia local.

A manutenção do acesso ao mercado americano sem a cobrança adicional evita um impacto direto sobre as exportações e contribui para manter a competitividade do café brasileiro em um dos mercados mais importantes do mundo.

Outros produtos foram taxados

Enquanto o café escapou da medida, diversos setores brasileiros passarão a enfrentar a tarifa adicional de 25%. Entre os produtos atingidos estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos (exceto os destinados à aviação) e outros produtos manufaturados.

Segundo o governo dos Estados Unidos, as exceções foram concedidas principalmente para produtos cuja oferta interna é insuficiente ou que poderiam provocar desabastecimento e aumento de preços no mercado americano caso fossem tarifados.

Governo brasileiro contesta medida

O governo brasileiro criticou a decisão do USTR e informou que não reconhece a legitimidade da investigação que fundamentou a aplicação das tarifas. Além disso, anunciou que pretende utilizar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Apesar da vitória obtida pelo setor cafeeiro, as entidades alertam que ainda existe uma segunda investigação em andamento no âmbito da Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Esse processo poderá resultar, futuramente, na aplicação de uma tarifa de até 12,5% sobre o café brasileiro.

Enquanto isso, Abic, Abics e Cecafé afirmam que continuarão atuando junto às autoridades e parceiros internacionais para defender a sustentabilidade, a qualidade e a competitividade do café brasileiro nos principais mercados consumidores.

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