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Dia Nacional de Combate ao Colesterol: com mais de 1.100 mortes diárias por doenças cardiovasculares no Brasil, novo remédio oral surge como aliado para pacientes de alto risco

Redação8 de agosto de 20266min0
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Novo medicamento promete reduzir o colesterol ruim (LDL) em até 60% e facilita a adesão ao tratamento com a conveniência do comprimido diário.

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, um avanço recente reforça as perspectivas para o tratamento de pacientes com colesterol elevado. No último mês, a Agência Reguladora de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o Lipfendra (enlicitide), primeiro medicamento oral da classe dos inibidores da PCSK9. Até então, essa classe terapêutica estava disponível apenas em formulações injetáveis.

A decisão da FDA foi baseada em estudos com mais de 3.200 participantes em que os resultados mostraram redução média de aproximadamente 60% nos níveis de LDL “conhecido como colesterol ruim” após 24 semanas de tratamento, eficácia comparável à dos inibidores injetáveis da PCSK9. Além do efeito sobre o colesterol, a possibilidade de administração por via oral pode favorecer a adesão ao tratamento, um dos principais desafios no controle das doenças cardiovasculares.

A pesquisa incluiu um perfil amplo de pacientes, entre eles aqueles que já utilizam estatinas, mas ainda apresentam níveis de LDL acima das metas terapêuticas, além de pessoas com hipercolesterolemia familiar. O médico cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Dr Norberto de Sá Neto, explica  que esses tratamentos são capazes de reduzir o LDL de forma ainda mais intensa do que as estatinas, especialmente em pacientes de alto risco ou que não conseguem atingir as metas apenas com as terapias tradicionais.

“Eles são indicados principalmente para pessoas com risco cardiovascular muito elevado, como quem já teve infarto ou AVC, quem tem colesterol muito alto por causa de uma condição genética, ou para pacientes que, mesmo usando estatinas na dose máxima e ezetimiba, ainda não conseguem alcançar a meta de LDL. Outro conceito importante é que existe uma relação direta entre a queda do LDL e a redução do risco cardiovascular. Grandes estudos mostraram que, para cada diminuição de aproximadamente 40 mg/dL no LDL, o risco de infarto, AVC e morte por doença cardiovascular cai em torno de 20%. Isso significa que não existe um valor “mágico” a partir do qual o benefício pode ser alcançado”.

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que cerca de 40% da população adulta brasileira convive com colesterol alto, enquanto a prevalência na população geral é de 22,6%. O excesso de LDL favorece o acúmulo de placas nas artérias e está entre os principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.

Dr Norberto Neto comenta que com o tempo, essa placa vai crescendo e provocando uma estenose, ou seja, um estreitamento do vaso. Isso pode acontecer na carótida, no caso do AVC, ou nas artérias coronárias, no caso do infarto. Em determinado momento, por diferentes fatores, como estresse, hipertensão, tabagismo, entre outros, essa placa pode se romper e desencadear um evento cardiovascular ou cerebral.

Segundo a SBC, as doenças cardiovasculares causam cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil, o equivalente a mais de 1.100 óbitos por dia. O especialista destaca que, em primeiro lugar, ao controlar o colesterol, seja por meio da mudança dos fatores de risco ou com o uso de medicações, conseguimos reduzir principalmente o crescimento dessas placas.

“Essas medicações fazem muito mais do que apenas reduzir o colesterol no sangue. Elas têm um efeito chamado efeito pleiotrópico. Elas estabilizam a placa de gordura, evitando que ela fique mais frágil e se rompa com maior facilidade. Com isso, o paciente ganha mais tempo para promover mudanças no estilo de vida e, consequentemente, reduzir as placas de colesterol”.

O médico ainda relata que muitos pacientes questionam sobre o uso de medicamentos mesmo não tendo colesterol tão elevado. Ele esclarece que, em muitos casos, o remédio tem um efeito tão importante quanto a redução do colesterol, estabilizar a placa. “Assim, mesmo que o paciente não apresente níveis tão elevados de colesterol, ele pode ter um risco maior de sofrer um AVC ou um infarto, o que justifica a indicação da medicação”, conclui o docente da Afya.

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