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Minas tem 4 vezes mais feminicídios que latrocínios

Redação17 de agosto de 20268min0
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No ano passado, 177 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, enquanto 44 pessoas perderam a vida após serem vítimas de roubos

Minas registrou quatro vezes mais feminicídios do que latrocínios em 2025. Só no ano passado, 177 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, enquanto 44 pessoas perderam a vida após serem vítimas de roubos. O comparativo escancara a disparada de mortes violentas de mineiras, apontada como um dos principais desafios da segurança pública no Estado.

Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no fim de julho. Minas aparece como o 2º estado com mais feminicídios do país, atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 270 casos. Em relação aos latrocínios, o território mineiro ocupa a 7ª posição no ranking nacional, empatado com o Paraná. São Paulo lidera, com 131 crimes.

“Ponto final da escalada de violência”

Pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Beatriz Schroeder reforça que o feminicídio não é um “ato isolado ou repentino”. A especialista destaca que, na maioria dos casos, a morte é o ponto final de uma escalada de violência que vinha se agravando. “Falar de feminicídio é falar de uma morte prevenível e que quase sempre dá sinais antes”.

Beatriz Schroeder afirma que um relacionamento nunca começa com uma agressão. A violência se instala aos poucos. “Mas escala rapidamente: o parceiro passa a controlar onde a mulher vai e com quem sai, e vêm o ciúme excessivo, a perseguição, as ameaças e as humilhações”. A pesquisadora reforça que é justamente o reconhecimento desses sinais que permite ação preventiva.

Para reduzir os casos, a especialista afirma que a prevenção começa na educação. “É preciso falar de violência contra a mulher na escola, ensinar às crianças formas saudáveis de se relacionar e mostrar que, num relacionamento, não se controla nem se agride o outro”.

Além disso, reforça a necessidade de expandir a rede de acolhimento. “Todos os equipamentos públicos precisam estar preparados para receber uma mulher em situação de violência, não só os serviços especializados”.

Estratégias diferentes de prevenção

Para o coronel da reserva da Polícia Militar e especialista em segurança pública Gedir Rocha, embora ambos os crimes resultem na morte da vítima, eles têm características distintas e, por isso, exigem estratégias diferentes de prevenção.

Segundo ele, o latrocínio costuma estar ligado à oportunidade durante um roubo e não faz parte do comportamento recorrente do criminoso. O especialista recomenda evitar qualquer reação durante uma abordagem criminosa, manter a calma e não fazer movimentos bruscos.

No caso do feminicídio, o coronel afirma que o cenário é diferente. Assim como a pesquisadora do fórum de Segurança Pública, o militar destaca que o crime costuma ser o desfecho de uma sequência de violências.

“O feminicídio está relacionado a uma cultura que ainda faz muitos homens acreditarem que são superiores às mulheres e que não serão responsabilizados pelos atos de violência. O enfrentamento passa por uma mudança cultural, pela educação e pelo fortalecimento da rede de proteção”, diz.

O especialista destaca que Minas conta com iniciativas como a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, que acompanha mulheres em situação de risco, mas ressalta que a atuação das forças de segurança, sozinha, não é suficiente. Segundo ele, o combate ao feminicídio depende também da integração entre polícias, assistência social, Judiciário, escolas e da participação da sociedade na denúncia dos casos de violência.

O que diz o Estado?

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirma que diferentes políticas de prevenção e enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher são desenvolvidas de forma contínua por diversos órgãos e instituições. As ações abrangem assistência, acolhimento, proteção às vítimas e o estímulo à denúncia dos crimes.

No enfrentamento aos crimes violentos, incluindo os latrocínios, as Forças de Segurança atuam de forma integrada por meio de ações de prevenção, inteligência, investigação e repressão qualificada, com foco no combate à criminalidade e no fortalecimento da segurança da população.

Canal de denúncia

Um dos principais canais de denúncia é a Central de Atendimento à Mulher Ligue 180, ligada ao Ministério das Mulheres. A ligação é gratuita, e o serviço funciona todos os dias, 24 horas.

Fonte: Hoje em Dia

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