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Diagnósticos de câncer de pele podem aumentar quase 40% em Minas Gerais até 2025

Redação27 de dezembro de 202311min0
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Dermatologistas explicam que o diagnóstico da doença, mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, é resultado da exposição ao sol ao longo da vida

Em 2023, o Brasil foi marcado por uma série de ondas de calor, sendo quatro recordes registrados nos termômetros em Minas Gerais. As altas temperaturas e o início do verão, que vai até 20 de março de 2024, acendem um alerta para o câncer de pele. Com estimativa de 220,4 mil novos casos no país a cada ano, de 2023 a 2025, o câncer de pele não melanoma é o tipo de câncer mais comum no Brasil. No Estado, a previsão para 2025 é de alta de quase 40% nos diagnósticos da doença, conforme relatório do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para tentar frear o avanço da enfermidade, a Sociedade Brasileira de Dermatologia elegeu esse mês para realizar a campanha “Dezembro Laranja” como forma de reforçar a necessidade de cuidados e da deteção precoce dos sintomas.

Apesar de o Brasil ser um país tropical, que convive com altas exposições solares praticamente todo o ano, não é por acaso que a campanha ocorre na chegada do verão. Segundo Maria Sílvia Laborne, dermatologista e chefe da clínica Dermatológica da Santa Casa BH, é comum que as pessoas busquem locais com água para se refrescar em horários e frequência não adequados e, muitas vezes, sem a devida proteção.

Ela explica que toda vez que uma pessoa se expõe ao sol e queima a pele, com vermelhidão e descamação, faz uma lesão no maior órgão do seu corpo, o que aumenta a probabilidade de um câncer no futuro. Por isso, ondas de calor podem ser um risco para a saúde, especialmente se o alívio das altas temperaturas ocorrer em locais abertos e com água. “A onda de calor pode aumentar os gatilhos de queimadura. Porque quando a pessoa está com muito calor, o que ela faz? Tenta ir para algum lugar onde tenha água. Vai para um rio, vai para uma cachoeira, vai para onde ela conseguir ir, até para praças públicas que tenham água. E se ela não estiver devidamente protegida, pode aumentar a probabilidade de ter o câncer de pele no futuro”, explica.

Segundo a dermatologista, em dias quentes, o ideal são locais com refrigeração. “Quando tem ondas de calor a gente deve aliviar isso com sombra e ventilação. Estar num lugar ventilado e não num lugar aberto e sem proteção, porque senão você vai aumentar a chances de queimadura. E com isso, ao longo dos anos, aumenta a possibilidade do câncer de pele”, destaca a dermatologista da Santa Casa BH.

Diagnosticada com câncer de pele em 2011, a atendente de padaria Solange Nonato Cruz, 62, atribui a doença a vários fatores. Mas os anos de praia, tiveram forte influência, segundo ela. Antes de mudar para Belo Horizonte, Solange vivia no Estado do Espírito Santo, e aos finais de semana, aproveitava o momento de descanso na praia. Ainda que passasse protetor, com o passar dos anos, ela começou a perceber algumas manchas brancas pela pele, o que acreditou ser marcas deixadas pelo sol. “Quando apareceram as primeiras manchas eu não me preocupei. No início a gente nem liga, depois que vê as consequências”, comenta.

Solange Nonato Cruz, 62, foi diagnosticada com Câncer em 2011.

O primeiro sinal mais visível do câncer foi uma ferida na sobrancelha e também no lábio. E quando Solange foi ao médico, o diagnóstico se confirmou. Ao longo desse tempo, a atendente conta que já apareceram mais de 14 tumores em seu corpo, especialmente no rosto e nos braços. Mesmo que hoje ela já esteja mais conformada depois de tanto tempo vivendo com a doença, o dia a dia de uma pessoa com câncer é complicado, segundo ela. “O tratamento não é uma coisa fácil. Você levanta de madrugada para ir ao médico, toma anestesia, corta e volta para casa muito triste com tudo que está acontecendo”.

Assim como 84,1% das pessoas diagnosticadas com câncer de pele em Minas Gerais em 2022, o tumor apareceu na vida de Solange depois dos 50 anos. No Estado, essa é a faixa etária mais afetada com neoplasia maligna da pele (tumores relacionados à genética e à exposição à luz solar) ou melanoma (tipo mais grave de câncer de pele). Segundo dados do Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico, em 2022, foram diagnosticados 8.234 casos de câncer de pele em Minas Gerais. Destes, além dos 84,1% acima dos 50 anos, 13,7% são na faixa dos 65 a 69 anos, e 19,2% são pessoas acima de 80 anos. Já em Belo Horizonte, dos 501 pacientes diagnosticados em 2023, 341 são pessoas com idade a partir de 65 anos.

Segundo Maria Sílvia, a maior incidência do câncer em pessoas acima dos 40 anos pode estar ligada à exposição ao sol ao longo da vida. “O câncer de pele vai acontecer depois que você tiver uma exposição, vamos dizer, somatória durante a sua vida. A gente sabe que, se a pessoa tiver queimadura solar em qualquer fase da vida dela, a queimadura que eu estou dizendo é ficar vermelha, ficar ardendo e depois descascar. Isso significa que você fez um dano na pele, e isso é que vai ser um reflexo para aumentar a chance da incidência do câncer de pele”, explica. Além disso, segundo o Inca, com o maior envelhecimento da população, a tendência de câncer de pele também aumenta. “O envelhecimento e a mudança de comportamento e do ambiente, incluindo mudanças estruturais, que têm impacto na mobilidade, na recreação, na dieta e na exposição a poluentes ambientais, favorecem o aumento da incidência e da mortalidade por câncer”, relata o órgão no “Relatório de Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil”, feito em parceria com o Ministério da Saúde.

Crianças muito expostas ao sol podem ter câncer na vida adulta

Embora fatores genéticos e externos, como uso de medicamentos e cigarros possam influenciar no diagnóstico de câncer de pele, existe um consenso entre os dermatologistas: os primeiros anos de vida são os mais importantes. “A infância e a adolescência são extremamente determinantes para o que você vai ter na vida adulta. Levando em consideração o câncer de pele, aquele sol ao qual você se expôs lá na infância sem uma devida proteção solar, ou mesmo com proteção solar, mas em horários inadequados, você vem com essa carga acumulativa e lá a partir dos 30, 40 anos começam a vir os sinais desse sol que você pegou”, explica Dra. Bruna Heluy, médica dermatologista da Hapvida NotreDame Intermédica.

Maria Sílvia Laborne, dermatologista da Santa Casa BH, reforça esse fato e destaca que a infância é a faixa mais importante para iniciar a proteção. “É quando você tem mais tempo, que faz mais atividades ao ar livre. Depois que você começa a trabalhar, com exceção aos trabalhadores que atuam expostos ao sol, você terá menos chance de ter queimadura. Então a maior proteção da sua vida deve ser nessa fase”, explica.

Mas afinal, quando começar a proteger as crianças do sol? As dermatologistas explicam que assim que os bebês passam a estar fora de casa, em parquinhos, clubes e atividades ao ar livre, por volta dos seis meses, já devem usar proteções físicas. Dentre elas, roupas frescas, bonés, chapéus e carrinhos com cobertura. “O mais importante é prestar atenção e procurar ter uma vida saudável. E uma vida saudável não é uma vida sem sol, é o sol com bom senso. É o sol como amigo e não o sol o que machuca.” ressalta Maria Sílvia.

O câncer de pele, no entanto, não se manifesta apenas em função da exposição exagerada ao sol. Existem também fatores genéticos e externos, como medicamentos usados por pessoas transplantadas, que precisam ser levados em conta. “Existem alguns remédios que desencadeiam. A pessoa já tem a tendência para ter e o remédio favorece o aparecimento. Não é só o sol, existem alguns medicamentos, radiações, o uso de cigarros que ajudam a pessoa a ter mais chance de ter câncer de pele”. Além disso, a presença de pintas e manchas escuras na pele também é fator de risco para a doença.

Fonte: O Tempo

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